Todo profissional que trabalha com tecnologia da informação já se deparou com os seguintes termos: software livre, software open source, software proprietário e RMM. Apesar de fazerem parte de um linguajar técnico, muita gente do ramo encontra dificuldades na hora de diferenciá-los.

Os softwares livres e o open source são os que causam a maior confusão, já que ambos disponibilizam os seus códigos-fonte e podem ser modificados e adaptados, o que não significa que sejam gratuitos.

Já os softwares proprietários, por serem propriedades intelectuais e protegidos por lei, são relacionados a produtos pagos, o que também não é uma regra.

Para que você possa tirar as suas dúvidas e entender as diferenças de uma vez por todas é que criamos esse post. Nele, você entenderá as diferenças entre esses modelos de licenciamentos de softwares. Confira!

O que é software open source?

Como o próprio nome sugere, um software open source, de código aberto, é um programa cujo código-fonte é disponibilizado para que usuários e interessados possam adaptá-lo e modificá-lo.

O conceito de open source foi desenvolvido por Eric Raymond, junto com a equipe de fundadores da OSI — Open Source Initiative. Eles buscavam oferecer uma alternativa que fosse mais atrativa comercialmente para as grandes empresas do que o conceito de software livre, abrindo a possibilidade de empresas gigantes, como a Microsoft, que é detentora de seus softwares, criarem programas de código aberto.

Sendo assim, podemos dizer que esse novo conceito tem o objetivo de acabar com um discurso ético e de direitos, e mostrar que o software open source é uma alternativa para que as empresas possam ter uma maior aplicação de recursos em serviços de formação e retorno de investimentos, sem perderem a licença de seus produtos.

A intenção de Eric e sua equipe era tirar o peso ideológico com a criação de um conceito que fosse uma alternativa ao software livre, mudando essa ideia que muitos tratavam como anticapitalista, e oferecer a noção de código aberto como uma alternativa para os desenvolvedores e investidores da indústria de software.

Ele criou um método que poderia se tornar colaborativo e, ao mesmo tempo, comercial, trazendo uma nova visão sobre esse assunto. Ao enxergar uma excelente oportunidade nesse novo prisma, as gigantes IBM, Dell, Intel e HP resolveram apostar na criação de tecnologias de código aberto, dando origem à OSDL — Open Source Development Lab.

Você deve estar se perguntando: “existem diretrizes ou procedimentos que a OSI impõe para que um software seja considerado open source?”. A resposta é sim! Confira quais são a seguir.

Distribuição livre

O acesso a esses softwares deve ser gratuito, sem nenhuma restrição de licença por meio de vendas ou permutas.

Disponibilização do código-fonte

O código-fonte deve sempre estar acessível para a comunidade de desenvolvedores, devendo ser distribuído na forma compilada e de fácil acesso, mesmo quando não for distribuído junto ao programa. Além disso, ele deve ser facilmente inteligível para que qualquer programador possa fazer alterações pontuais, evitando qualquer privilégio.

Liberdade para modificações e trabalhos derivados

A licença de um software open source não deve restringir modificações e trabalhos derivados, além de suas distribuições após as mudanças manterem as diretrizes da licença padrão.

Manutenção da integridade do autor do código-fonte

Apesar de a licença garantir a modificação, adaptação e distribuição do programa, ela pode requerer que o código-fonte modificado tenha um número de registro ou nome diferente do original. Esse parâmetro poderá ser exercido ou não pelo desenvolvedor do código-fonte matriz de acordo com sua preferência.

Não discriminar pessoas ou grupos

A licença não pode ter restrições contra grupos de pessoas específicos, ou seja, ela deve garantir o acesso facilitado a todos sem restrição.

Não discriminar áreas de atuação

Também não poderá ser feita qualquer restrição da utilização do software a pessoas de um ramo específico, permitindo que qualquer empresa faça o uso do código.

Distribuição da licença

Todos os que participarem da redistribuição devem exercer o direito de associado ao software, sem a necessidade de criação de uma nova licença ou de documentos adicionais.

Licença não específica a um produto

Deve-se assegurar que, quando houver a distribuição de um software, todas as suas partes sejam disponibilizadas, garantindo o direito de todos ao código integral, além de assegurar sempre a distribuição integral.

Não restringir outros programas da mesma licença

Todos os softwares que forem distribuídos com o programa licenciado devem estar livres de qualquer restrição, garantindo a integralidade.

Licença neutra em relação à tecnologia

A licença não poderá restringir que a adoção de interfaces, estilos e tecnologias seja aplicada ao programa, em nenhuma cláusula.

O que é software livre?

O conceito de software livre foi estabelecido por Richard Stallman junto a um grupo de desenvolvedores que criou a FSF — Free Software Foundation.

Ao contrário do que muita gente imagina, por conta da tradução literal do termo “free”, um software livre não necessariamente precisa ser um software gratuito. Nesse caso, “free” tem uma relação com a liberdade que o software oferece aos seus usuários para modificar, distribuir e estudar o programa.

Além da liberdade de uso, modificação e distribuição, como o software livre tem o código-fonte aberto, ele permite ao seu usuário saber exatamente o que está rodando em seu computador, podendo se prevenir de possíveis invasões e espionagens, o que garante uma maior margem de segurança de dados.

Livre adaptação

Os desenvolvedores ficam livres para poderem adaptar os softwares sem a necessidade de pedir autorização, tendo como regra básica a manutenção da liberdade do software adaptado, para que o mesmo processo possa acontecer com ele.

Quem garante esse parâmetro aos softwares livres é a licença GNU — General Public License — que perpetua a liberdade de um código para que ele continue gerando versões livres, independentemente de sua modificação.

Novamente, precisamos lembrar que o software deve ser livre e gerar adaptações livres, mas o desenvolvedor tem a autonomia para cobrar um valor por essa modificação. A liberdade se mantém, mas o profissional poderá ser valorizado pelo seu trabalho, se assim lhe couber.

Podemos citar exemplos de softwares livres como o Android e o Mozilla Firefox, além das várias versões do sistema operacional Linux, que permitiu a criação de softwares livres para gerenciar computadores pessoais e grandes servidores.

Liberdades que um programa deverá ter para que seja considerado um software livre

  • Liberdade 0 — garante o direito à livre execução do programa, independentemente do propósito;
  • Liberdade 1 — liberdade de estudo e adaptação do programa às necessidades dos usuários com acesso ao código-fonte;
  • Liberdade 2 — liberdade de redistribuição e acessibilidade a todos, sem restrição;
  • Liberdade 3 — liberdade de distribuição de todas as versões modificadas, ao disponibilizar o código-fonte, garantir o benefício das mudanças a toda a comunidade e propiciar a evolução dos softwares livres.

Quais são as principais diferenças entre software livre e o open source?

É bem provável que, mesmo após a apresentação dos dois conceitos, você tenha ficado um pouco confuso sobre as diferenças entre os softwares open source e os softwares livres. Podemos resumir as diferenças da seguinte forma:

Os programas open source, apesar de poderem ser utilizados, redistribuídos e modificados livremente, podem ser licenciados e ter propriedade. O objetivo aqui é o sistema colaborativo, visando à melhoria e evolução constante do programa, sem que ele esteja atrelado a uma licença que o torne livre de uma forma ideológica, que faça com que todas as suas versões necessitem ser livres, gerando uma reação em cadeia.

Isso permitiu que empresas que têm como mote principal a criação de softwares proprietários pudessem criar softwares de código aberto sem perderem a propriedade sobre eles.

Já o conceito de software livre é quase uma ideologia, que cria uma corrente de liberdade de modificação e adaptação de softwares que, obrigatoriamente, deverão gerar outras versões livres, mantendo o conceito vivo, e impedindo o domínio dos softwares proprietários, considerados como nocivos por Richard Stallman. O conceito surge com a ideia de que o desenvolvimento pode ser remunerado, mas os programas não devem ter proprietários.

Resumindo de maneira simplória, os softwares open source são abertos, mas têm dono. Softwares livre são de todos, e os profissionais podem ser remunerados pelo trabalho de modificação ou melhoria, mas nunca serão donos dos programas.

O que é software proprietário?

Como o próprio nome sugere, o software proprietário é aquele que resguarda o direito à propriedade intelectual à pessoa ou empresa que o criou. O conceito surge como uma oposição à ideia de software livre. Em um software proprietário, a venda, modificação, distribuição e adaptação devem ser autorizadas pelo respectivo criador, sendo passível de punição legal a quebra desses paradigmas.

Assim, como há uma confusão entre software livre e software gratuito, o mesmo ocorre em relação ao software proprietário, que não necessariamente precisa ser um software pago. A diferença se dá exclusivamente no licenciamento e liberdade de distribuição e modificação.

A tendência é que os principais softwares proprietários tenham um custo de aquisição, o que aumenta o seu poder de investimento. Essa é uma das teses de quem defende esse tipo de licenciamento.

Eles alegam que o financiamento promove uma maior qualidade para o software, o que contribuiria também para a evolução da tecnologia como um todo, permitindo que pessoas que optam por pagar tenham acesso ao melhor produto, como ocorre em toda a sociedade de mercado.

Os defensores da ideologia dos softwares livres alegam que esse conceito de qualidade é relativo, e usam como argumento o fato de que os softwares proprietários, geralmente, não dispõem de versões para todas as plataformas, tendo suporte exclusivo do licenciado.

Alegam também que eles têm um custo maior, impedindo a popularização, e apresentam uma série de restrições ao uso, o que seria totalmente contrário à ideia de desenvolvimento e criação livre.

Combate à pirataria

Apesar de a pirataria ser passível de punições legais e de serem protegidos por leis de propriedades intelectuais, os softwares proprietários não escapam das violações de distribuições ilegais.

Por mais que as grandes marcas trabalhem em mecanismos anticópias, não é incomum acharmos versões hackeadas com uma simples busca na web. Muitos usuários baixam indiscriminadamente esses softwares, sem levarem em conta os riscos que correm — legais e de segurança.

Para se protegerem das distribuições ilegais, muitas empresas, como a gigante Adobe, estão apostando em um novo modelo de disponibilização de seus softwares. Ela abandonou o modelo de vendas de licenciamentos e adotou o modelo de assinaturas.

O que é software RMM?

Quando falamos de suporte remoto e gestão de TI, ouvimos sempre o termo RMM. Ele se refere a uma plataforma de gerenciamento remoto que permite a integração de várias ferramentas de suporte de TI, que garantem a segurança dos equipamentos e de redes das empresas dos clientes. É a ferramenta ideal para quem quer prestar o melhor serviço de suporte.

Por ser um sistema remoto, foi desenvolvido exclusivamente para que os profissionais de suporte tenham uma atuação preventiva, podendo atuar em mais de uma empresa ao mesmo tempo, com a possibilidade de terem ganhos crescentes e escaláveis. Sendo assim, o RMM não é indicado para as equipes internas de TI das empresas.

Aliado à automatização, esse acesso remoto permite aos profissionais de suporte a mudança no seu modelo de trabalho, deixando de atuar reativamente — no modelo break/fix (quebra/conserta), que não permite a ampliação dos ganhos e trabalha na contramão dos anseios do cliente —, para a adoção de um modelo de serviços gerenciados, que trabalham para evitar problemas de forma otimizada.

Como o RMM ajuda o profissional de TI na prática

A plataforma RMM serve de base para a gestão e gerenciamento remoto, garantindo a segurança dos dados sigilosos trafegados em uma corporação. Como a plataforma trabalha por meio de princípios como a automação, permite que o profissional possa identificar com rapidez até os menores problemas na rede do cliente.

Desse modo, ele pode prestar o suporte preventivo antes que o problema aconteça, e evitar que a empresa do cliente tenha problemas produtivos por paradas de sistema.

Como é feita a integração de ferramentas

O RMM surge como um grande aliado dos profissionais de suporte em várias frentes, desde a automação e integração, passando pelo aumento da receita, além de ser uma oportunidade de modernização do modelo de serviço prestado.

Muito mais do que escalar os ganhos, abandonar o modelo reativo é uma exigência de mercado. A melhor alternativa ao modelo break/fix é o MSP — Managed Service Provider, provedor de serviços gerenciado, em português.

As principais ferramentas integradas a um RMM são:

  • de acesso remoto;
  • de proteção web;
  • de monitoramento e manutenção automatizados;
  • de gerenciamento de patches;
  • de análise prescritiva de dados;
  • inteligência contra riscos de violação de dados;
  • antivírus gerenciado;
  • backup e recuperação.

É por meio da reunião dessas ferramentas que os profissionais de suporte poderão gerir as informações dos clientes, obter métricas e emitir relatórios com dados valiosos de diferentes maneiras, que ajudarão na otimização dos processos internos e externos.

Com isso, o profissional manterá os sistemas atualizados e protegidos, sem a necessidade de visitas excessivas aos clientes, que limitam a possibilidade de expandir suas operações. A integração permite também que as tarefas sejam administradas de forma simultânea, e o agendamento de tarefas de rotina.

SolarWinds RMM - 30 dias grátis

O que é MSP

Durante muito tempo, o foco dos profissionais do suporte era a manutenção em si, sem qualquer alinhamento com as estratégias de sucesso dos clientes. O profissional era chamado, “resolvia” os problemas e ia embora, esperando um novo acontecimento para agir.

Sendo assim, o profissional de suporte aparecia quando a produção estava parada, e o cliente de cabeça quente, com a previsão de prejuízo. Essa situação tornava o profissional de TI a última pessoa que o cliente queria ver na sua frente, pois estava relacionado sempre a problemas com o núcleo de seu negócio.

O MSP trabalha para que essa visão seja mudada, afinal, ele não resolve problemas, ele evita. Com a ajuda do RMM, ele age preventivamente, se apresentando como um profissional que não trabalha para consertar computadores, e sim para o crescimento do núcleo do negócio do cliente. Ele evita que haja parada e perdas de qualidade e produtividade, aumentando o faturamento do cliente e garantindo a sua satisfação.

Além do mais, em conjunto, MSP e RMM permitem ao profissional de suporte a ampliação de sua cartela de clientes. Aliada ao trabalho remoto, a automatização diminui a necessidade de visitas, evitando que o profissional fique preso a um único cliente. Como temos apenas 24 horas por dia, ter como base de trabalho as visitas limita seriamente o seu campo de atuação.

É necessário que fique bem claro que a adoção de um software RMM não faz do profissional um MSP, e sim a sua forma de trabalhar de maneira mais otimizada. A ferramenta apenas viabiliza esse processo.

O que é o Zabbix?

O Zabbix é uma solução open source criada para monitoramento remoto de redes e segurança de servidores, sendo utilizada por empresas de médio e pequeno porte. Com essa ferramenta, o profissional poderá acompanhar o desempenho de softwares, de experiência do usuário e outros problemas complexos no servidor Zabbix.

Com uma interface web, a ferramenta oferece a possibilidade de configuração para a utilização de vários métodos de configuração, como SMS, e-mail e abertura de tickets help desk, por exemplo. Além disso, o sistema permite a automatização e agendamento de processos.

O monitoramento automático do Zabbix é permitido para diversos protocolos, e conta com funções como autodiscovery, que faz uma varredura automática, e low level discovery, que faz análise de métricas dos itens monitorados. O sistema Zabbix é dividido em módulos. Confira a seguir quais são eles.

Zabbix server

O modulo Zabbix server é responsável pela coleta de dados e monitoramento de agentes, que fica responsável pela emissão de alertas de problemas. Esses alertas são emitidos por meio de e-mail, SMS e outros meios de comunicação visual.

Além do mais, ele guarda o histórico de eventos, estrutura o banco de dados e permite a emissão de gráficos, apresentações em slides e outras formas de apresentações em tempo real, baseado nas métricas obtidas em um determinado período de tempo. Vale lembrar que o servidor Zabbix é instalado apenas em servidores Linux ou Unix.

Zabbix proxy

O Zabbix proxy é o módulo responsável pela coleta e repasse das informações obtidas no sistema monitorado e envio para o servidor. Isso faz dessa ferramenta um item essencial para a arquitetura de monitoramento distribuído. Ademais, ele trabalha para diminuir a carga do Zabbix server.

Zabbix agent

Esse é o módulo responsável pela coleta das métricas que permitem uma análise detalhada de toda a arquitetura. As métricas coletadas são:

  • métricas comuns — como CPU e memória, específicas de sistemas operacionais;
  • métricas personalizadas — que são obtidas com o uso de scripts ou softwares externos, de acordo com a demanda do cliente.

Devo utilizar um software livre ou um proprietário?

Um profissional de suporte deve enxergar a sua ferramenta de trabalho como um investimento e não como um custo. O software deve atender a todas as suas necessidades, independentemente da licença, para que você possa alinhar o seu trabalho às expectativas do cliente.

Nesse cenário, a melhor escolha é a utilização de um bom RMM, que além de automatizar e facilitar o seu trabalho, ofereça um suporte de excelência para que você e sua equipe possam manter a produtividade.

Como não existe fórmula mágica, você deverá analisar bem a sua demanda e, caso tenha que fazer um acordo que demande um investimento, não foque os custos, e sim os benefícios que a ferramenta lhe trará.

Lembre-se de que, trabalhando com serviços gerenciados, você automatizará os seus processos e poderá atender mais de um cliente ao mesmo tempo, com uma ferramenta só.

Esperamos que, após a leitura deste texto, você tenha tirado todas as suas dúvidas sobre licenciamentos de softwares. Mais uma vez, vale recordar:

  • softwares livres não significam gratuidade,
  • e software proprietário não se refere necessariamente a programas pagos.
  • Já o software open source surgiu como uma forma de unir o melhor dos dois modelos.

Gostou do post? Quer saber como melhorar a sua prestação de serviços? Então, continue a leitura e entenda de forma aprofundada como um RMM pode ajudar nessa missão!


Luís Montanari
Autor

Graduado em Comunicação Social, o líder dos times de vendas e marketing da ADDEE SolarWinds MSP é pai de duas lindas meninas e apaixonado por política, tecnologia, cerveja e também pelas singularidades das pessoas. Seu maior objetivo profissional é transformar empresas de suporte em verdadeiros MSPs!

Escreva um comentário

Share This